A mobilidade é fundamental para a qualidade de vida e desempenho esportivo. No entanto, com o envelhecimento, principalmente em pessoas sedentárias, essas capacidades tendem a diminuir. Halder et al. (2018) indicam que perdemos cerca de 10% da nossa flexibilidade a cada década, entre os 20 e 49 anos. Essa perda pode levar a dores, encurtamentos musculares e menor liberdade de movimento.
Mas qual é a diferença entre mobilidade e flexibilidade? E como melhorar esses aspectos para evitar lesões e melhorar a performance nos exercícios e no dia a dia?
Mobilidade: Controle e Eficiência nos Movimentos
A mobilidade está relacionada ao controle neuromuscular e à capacidade ativa de movimentação das articulações. Segundo o fisioterapeuta Kelly Starrett, referência na área do movimento humano, a mobilidade é um fator determinante para a performance atlética e para a prevenção de dores e lesões (Starrett & Cordoza, 2013). Sem mobilidade adequada, o corpo não consegue gerar força de maneira eficiente, sobrecarregando músculos e articulações.
Isso explica por que muitas dores no joelho, por exemplo, não são um problema da articulação em si, mas sim uma consequência de falta de mobilidade no quadril e tornozelo. Antes de fortalecer uma região, é necessário garantir que ela se mova corretamente.
Além disso, o treino de mobilidade melhora a eficiência do movimento, reduzindo a rigidez da musculatura e desenvolvendo o controle motor (McHugh et al., 2010). Esse tipo de treinamento, a longo prazo, torna os músculos mais fortes e menos suscetíveis a lesões (Chen, 2011).
Flexibilidade: A Capacidade de Alongamento Muscular
Diferente da mobilidade, a flexibilidade refere-se à elasticidade dos músculos, ou seja, à capacidade do tecido muscular de se alongar. O professor e pesquisador Abdallah Achour Junior, especialista em biomecânica e treinamento físico, explica que a flexibilidade não deve ser vista apenas como um fator isolado, mas como parte de um conjunto que envolve força, controle motor e estabilidade articular (Achour Junior, 2006).
Achour destaca que a flexibilidade isolada não garante um movimento eficiente. Pessoas que são naturalmente muito flexíveis, mas não possuem força e controle muscular adequados, podem ter maior risco de lesões.
Alongamento: Estratégia para Manter a Flexibilidade
O alongamento é uma ferramenta para preservar e melhorar a flexibilidade. Existem diferentes tipos de alongamento, sendo os principais (Dantas, 2018):
- Estático: Mantendo a posição por um tempo prolongado
- Dinâmico: Com movimentos ativos, mais utilizado no aquecimento esportivo.
- PNF (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva): Alternando contração e relaxamento muscular, eficaz para ganhos mais rápidos de flexibilidade.
A Importância da Mobilidade para a Saúde e o Desempenho
Ter boa mobilidade permite movimentos mais eficientes, previne lesões e melhora o desempenho em qualquer atividade física. Estudos indicam que o treinamento de mobilidade (McHugh et al., 2010; Chen, 2011):
✅ Reduz a rigidez muscular e melhora a circulação sanguínea.
✅ Aumenta o controle motor, tornando os movimentos mais precisos e coordenados.
✅ Diminui o risco de lesões, pois músculos e articulações trabalham de maneira mais equilibrada.
✅ Melhora a força muscular, pois permite que os músculos trabalhem em sua amplitude máxima.
Como destaca Kelly Starrett, “você não pode se mover bem se não puder se mover completamente” (Starrett & Cordoza, 2013). Ou seja, antes de buscar levantar mais peso ou correr mais rápido, é essencial garantir que suas articulações tenham liberdade para se movimentar corretamente.
Conclusão
A mobilidade é essencial não apenas para atletas, mas para qualquer pessoa que queira se movimentar bem e sem dores. A perda dessa capacidade ao longo da vida pode levar a restrições de movimento, dores articulares e dificuldades em atividades simples do dia a dia. Por isso é recomendado incluir exercícios de mobilização articular, liberação miofascial, alongamentos dinâmicos e treinos de estabilidade
Portanto, incluir exercícios específicos para mobilidade e flexibilidade na sua rotina pode melhorar a sua qualidade de vida, aumentar seu desempenho e prevenir lesões. Como disse Abdallah Achour Junior, “o corpo humano é uma máquina de movimento, e quanto melhor sua mobilidade, melhor ele funcionará” (Achour Junior, 2006).
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Referências
Achour Junior, A. (2006). Alongamento e Flexibilidade: Bases Científicas do Treinamento. Sprint.
Halder, T., et al. (2018). Age-related decline in flexibility and its effects on mobility and daily activities. Journal of Aging Research, 12(3), 45-56.
McHugh, M. P., et al. (2010). The role of flexibility in injury prevention and athletic performance. Sports Medicine, 40(3), 101-116.
Chen, C. H. (2011). Muscle stiffness and flexibility: Effects of long-term stretching exercises. Journal of Applied Physiology, 98(4), 765-772.
Dutton, M. (2019). Orthopaedic Examination, Evaluation, and Intervention (4th ed.). McGraw Hill.
Dantas, E. H. M. (2018). Flexibilidade: Alongamento e Flexionamento Global (2ª ed.). Shape.
Starrett, K., & Cordoza, G. (2013). Becoming a Supple Leopard: The Ultimate Guide to Resolving Pain, Preventing Injury, and Optimizing Athletic Performance. Victory Belt Publishing.



