A fáscia é uma rede contínua de tecido conjuntivo que envolve e interliga músculos, ossos, órgãos e outras estruturas do corpo. Thomas Myers descreve a fáscia como um sistema tridimensional que transmite forças mecânicas pelo corpo, influenciando a postura, o movimento e até mesmo padrões de dor. A fáscia é fundamental para a biomecânica e a funcionalidade do corpo humano, sendo um tecido dinâmico e altamente adaptável.
A dor crônica é um dos principais problemas de saúde pública, sendo a maior causa de incapacidade no mundo e superando, em custos, doenças como diabetes e câncer. Apesar de seu impacto significativo, ainda há poucas estratégias eficazes de prevenção e tratamento baseadas em evidências.
A condição pode se manifestar de diferentes formas, e uma das suas principais causas é a dor miofascial, associada aos chamados pontos-gatilho. Esses pontos são áreas hiperirritáveis na musculatura, podendo gerar dor local ou referida. Os pontos-gatilho podem ser classificados como ativos (quando causam dor espontânea) ou latentes (quando só geram dor ao serem pressionados). Eles são frequentemente negligenciados em quadros de dor crônica, mas podem estar ligados a diversas condições, como osteoartrite, síndrome do intestino irritável, zumbido no ouvido etc. O entendimento da dor miofascial evoluiu nos últimos anos, com novas pesquisas desafiando antigas teorias sobre sua origem e mecanismos.
A dor miofascial pode ser intensificada por um processo chamado sensibilização periférica e central. Isso acontece quando os receptores da dor ficam mais sensíveis, tornando o corpo mais reativo a estímulos dolorosos.
Nosso sistema nervoso tem três partes principais que trabalham juntas para perceber a dor:
- Caminhos aferentes – levam sinais de dor da pele, músculos e articulações até a medula espinhal e, depois, ao cérebro.
- Centros de integração – localizados no cérebro, interpretam e processam a dor.
- Caminhos eferentes – enviam respostas do cérebro para a medula espinhal, ajudando a controlar ou diminuir a dor.
Em algumas condições, como fibromialgia e dor neuropática, o sistema nervoso pode entrar em um estado de “hipersensibilidade”, fazendo com que a dor se torne mais intensa e duradoura. Dores prolongadas podem até mudar a estrutura do cérebro, mas a boa notícia é que uma abordagem adequada pode ajudar a reverter essas alterações. Isso inclui uma boa hidratação, treino adequado, descanso, sessão de liberação miofascial, entre outros cuidados.



